A la doriana

Abril 19, 2007 at 9:35 pm (Confissões)

There was a boy, a very strange enchanted boy. Desde sempre ele achou que tinha alguma coisa diferente com ele. Não era o corte de cabelo, não era mastigar de boca aberta. Ele sentia coisas estranhas por quem ele não deveria sentir nada. Tipo o Atchim, do Atchim & Espirro. Ele não sabia explicar o que acontecia, mas bastava ver aqueles pelinhos que escapavam da roupa de palhaço pra algo mexer com sua cabeça. Como ainda era muito novo pra entender tudo isso, ele deixou passar.Um dia ele cresceu, e como todo mundo que cresce, ele se apaixonou. Pela primeira vez sentia a vontade avassaladora de tocar aquele corpo, de sentir aquela respiração cada vez mais perto. Tudo que ele queria era atenção. Não a atenção de uma pessoa qualquer, a atenção do Rafael. Mesmo sabendo que que as coisas não funcionavam daquele jeito, ele fantasiava que poderia dar certo sim entre os dois, que era só ele contar tudo o que estava sentindo que a recíproca seria verdadeira. Ele lia milhares de livros, de revistas, via todos os programas sobre sexualidade e todo mundo dizia que era só uma fase. Como podia ser só uma fase? Ele sabia que iam ficar juntos, ter um apartamento em São Paulo e uma casa em Angra, onde passariam os finais de semana na presença dos milhares de amigos do Rafa.

O sentimento cresceu e ele resolveu assumir para si mesmo que amava o Rafa. A proximidade só ajudava esse sentimento louco, já que os dois eram grandes amigos e não saíam da casa um do outro. Até que um dia, ao invés de atenção, ele recebeu desprezo. Público! Não bastasse ter sido mal tratado, o tinha sido na frente de todos aqueles amigos que freqüentariam a casa de Angra. Como o Rafa podia fazer isso? Ele nem sabia ainda de todos os planos já havia pra os dois! Foi uma das vezes que ele mais lembra de ter chorado. Como ele chorou naquela noite!!! Não bastasse estar trancado no quarto, no escuro, chorando, ainda tinha a Roxette se esgoelando no meu rádio. It must have been love. Como ele se sentia humilhado! Então, num momento de orgulho ferido, como uma Scarlett O’Hara interiorana, ele jurou que nunca mais choraria por alguém outra vez. Nunca! E assim a adolescência toda passou, a Rose ficou sozinha congelando no meio do Ártico, minha vó e o papa morreram, as Torres Gêmeas viraram uma grande cratera e nenhuma lágrima apareceu.

Por algum motivo, esse bloqueio se desfez no último Ano Novo. Sem explicação, no último dia do ano ele percebeu como sua vida tinha mudado com o final da faculdade, como ele era um homem agora, como ficaria longe das pessoas maravilhosas que tanto o ajudaram a se entender, que o aceitavam mesmo exagerando um pouco no humor negro daquela última piada. E ele chorou! Como ele chorou! Parecia uma criança que acabou de derrubar o pirulito desejado numa poça d’água. Buscando ajuda, foi para a igreja, um lugar que não freqüentava há um bom tempo. A missa começou e ele mal conseguia cantar com o nó que ainda estava na garganta. Ele via o cara pendurado na cruz e tentava entender o que estava acontecendo. E aos poucos ele se controlou. Pelo menos até tocar “Marcas do que se foi”. E lá ia ele de novo…

Depois desse dia ele já perdeu as contas de quantas vezes ele chorou. Colação de grau, show do Robbie Williams no DVD, programa sobre maus tratos aos animais na Record, Troca de Família… A última foi ontem vendo A Corrente do Bem (mas ok, quem não chora com o menininho do Sexto Sentido?).

Diante de tudo isso, ele publicou hoje esse anúncio no jornal: CARA EM ESTADO TERMINAL DE DESIDRATAÇÃO PROCURA URGENTE CARA APAIXONANTE, CAFAJESTE, EGOÍSTA E QUE O HUMILHE EM PÚBLICO PARA AUXILIAR EM TRATAMENTO MÉDICO. PAGA-SE BEM. CHANCE ÚNICA! A PRÓXIMA PODE SER SOMENTE DAQUI A ANOS.

Se você se sensibilizou com essa notícia, passe-a para sua lista de amigos. Conheço esse rapaz. Não precisa ser uma humilhaçãozona, só um palavrão e um murro já estão de bom tamanho. Não que ele esteja reclamando de conseguir exteriorizar os seus sentimentos. Longe disso… Ele só não quer mais exteriorizar vendo o Fábio Assunção clamando pela Alessandra Negrini em “Paraíso Tropical”.

1 Comentário

  1. Lilian disse,

    O Atchin bem que era bonitinho mesmo.. rs.

    Adorei! Corcordo troca-de-familiisticamente com você. Depois do final da facu, a vida ganhou um gostinho Doriana que já tá embrulhando o estômago. Chega, né? rsrs

    Beijão!!

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