Alpha Romeu

Junho 11, 2007 at 4:15 pm (Cinema, Justin Timberlake, Teatro)

Sábadão Bauru recebeu Romeu & Julieta, com a companhia Mandrágora.

Morria de vontade de ver uma montagem clássica da peça. Um pouco aquém do que eu esperava, mas valeu a pena. Mas:1) Palco pelado – Onde já se viu R&J sem sacada? O palco ficou pelado, só com uma rampa preta de madeira que serviu de tudo: varanda, túmulo, cama, montanha… Decepção.

2) Montagem integral com o texto clássico – Sei do valor de um clássico de Shakespeare e, principalmente, que o texto revela os costumes daquela época. Mas que devia ser um saco conversar naquela época, devia! Frases na ordem indireta, com vocabulário rebuscado e uma verborragia que me estressou em muitos momentos. Pra dizer que ia se matar o Romeu ficou cinco minutos falando, falando, falando e não dizendo nada. Por isso caso um dia monte R&J prometi pra mim mesmo que vou trabalhar o texto pra não chatear o meu público.

3) Atores do naipe Malhação no elenco. No papel da ama ou do padre tudo bem, NUNCA NO DO ROMEU! É completamente absurdo o padre ou a ama serem muito mais interessantes, mais carismáticos e mais talentosos que o Romeu! Como se interessar por uma peça que chama Romeu & Julieta se o Romeu é ridículo? O cara foi péssimo, sem expressão facial/corporal/vocal e ainda quebrou a quarta parede toda hora, não parava de olhar pra platéia. Devia estar procurando a mamãe. Rezei muito pro diretor ter mudado a história, pro Romeu morrer no meio e pra Julieta fugir com a ama.

4) Nu desnecessário – Ok, a Julieta tinha um corpo legal, mas não precisava tirar a roupa. Ela não precisava ter pagado peitinho pra mostrar seu talento. Foi uma cena bonita e bem montada, mas o amor de R&J é muito mais uma instituição do que uma tentação carnal.

Pra completar o fim de semana, ontem assisti Alpha Dog.

O filme de estréia do diretor Nick Cassavetes e com Justin Timberlake no elenco (além de Sharon Stone, Bruce Willis e dezenas de atores desconhecidos) é um grande soco do estômago da juventude. Suas duas horas têm consumo de drogas, sexo, violência e o pior de todos os ingredientes para um indivíduo que está construindo sua identidade: a inconseqüência. Tinha ouvido falar muito bem do desempenho do Justin e os elogios são merecidos. Sou suspeito pra falar dele porque pago pau pro cara, mas não tem como não comprar seu personagem, acreditar na sua ingenuidade e sofrer junto com ele durante as reviravoltas dessa história cruel (e real) sobre um inocente envolvido num duelo de forças em que nem as duas pontas da corda sabem até onde irão pra vencer o cabo de guerra. Quem puder, assista, eu quase chorei no final (apesar disso não significar nada, já que choro vendo o Lata Velha no Caldeirão do Huck rs).

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O fator Glória

Junho 8, 2007 at 6:14 pm (Novelas, Paraíso Tropical)

A saga de Paraíso Tropical com a audiência não foi segredo pra ninguém. Mas após um princípio com Ibope baixo, parece que o país foi fisgado pela trama. Eis que a Folha Online publica a matéria “Paraíso Tropical” recupera ibope com Glória Pires e Tony Ramos. A reviravolta é assim explicada: “[...] Claudino Mayer, pesquisador em telenovela, destaca o ‘fator Glória Pires’ para explicar a reviravolta no enredo e no Ibope [...]. ‘Desde que ela entrou, a novela só tem aumentado a audiência. Ela rouba a cena. A presença da Glória é infalível’, afirma”.

Como Glória foi decisiva para a novela, divulgo em primeira mão as próximas cenas:

* Depois de ler uma retrospectiva sobre novelas escrita por Glória, Thaís se desilude ao ver que vive uma versão contemporânea de Mulheres de Areia como a gêmea má. Frustrada, Thaís parte em busca de suas origens e tem uma suuuper descoberta: ela e Paulinha são frutos das experiências genéticas de um cientista em sua última viagem ao Marrocos e Paula é um clone feito com o óvulo de um camelo. Mas a verdade verdadeira só vem à tona quando Paulinha pede um abraço à irmã e sente duas corcovas nascendo nas costas de Thaís. Desesperada por ser a filha do camelo Rabaduh, Thaís explora sua bizarrice e ganha rios de dinheiro como a principal atração do Zoo do Rio. Ponto para Gloria.

* Bebel larga a prostituição e vira uma mulher exemplar na sociedade carioca. Explicação: Um dia, dando duro (ops) no calçadão, Bebel vê Glória Pires passar na rua e resolve se tornar uma dama tão distinta quanto ela. Bebel chora, mergulha no mar e sai renovada, como uma virgem – com direito a hímen recomposto e tudo. Glória 2 x 0.

* Cansado de tramar contra Daniel, Olavo lê um artigo escrito por Glória, em que ela fala que “a vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena”. Tocado por essa mensagem reveladora, Olavo faz as pazes com Daniel, abandona o grupo Cavalcanti e resolve virar Hare Krishna. E Glória aprontou de novo.

* A sociedade carioca descobre que Marión é a maior caloteira da paróquia. Desesperada, ela decide se afogar em Copacabana. Antes de chegar na água, no entanto, vê Glória estendida numa canga com um crucifixo na gargantilha. Marión encara isso como um sinal divino, volta ao apartamento, faz as malas e segue com seu filho Ivan (que deixou de ser mau-caráter ao ver Glória dizendo a uma criança que papai do céu castiga quem é mau com a mamãe) para um mosteiro, se tornando a noviça rebelde brasileira (The Hiiiiiills are aliiiive with the sound of muuuuusiiiic…). E, ops, Glória fez de novo.

* Antenor cruza com Glória num shopping e ela chama muito a atenção do peludo. Ele não resiste, se aproxima e faz a pergunta que tanto lhe incomodava: “Onde você pintou o cabelo, linda? Ficou óóótimo! Me indica, meus pêlos estão muito caídos!!!”. A partir daí, Antenor reconhece que sua grosseria e necessidade de usar as mulheres vêm da sufocação de sua verdadeira sexualidade. Ele muda seu nome para Lorena, transforma a rede de hotéis numa grife de lingeries em sociedade com Bia Falcão e muda-se para Milão com seu grande amor: seu papi. Essa Glorinha…

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Por uma vida mais ordinária

Junho 6, 2007 at 9:42 pm (Facul)

Ouvindo: Gwen Stefani – The Sweet Escape

Tem dias que podiam não começar. Ou melhor, até podiam, mas deviam terminar o mais rápido possível. Ontem foi assim: uma manhã que não passava por nada. Somando ainda o fato de que sei lá por que diabos resolvi trabalhar todo na estica e percebi com dez minutos de trabalho que sapato e camisa não têm nada a ver comigo. Que saudades do meu tênis! Pelo menos a tarde deslanchou e o final do expediente chegou. Nada como tirar o sapato, como me livrar desse couro e desse cinto que estão me engaiolando. Nada como voltar pra casa, mesmo com ela bagunçada e as meninas na TPM! O que me consola é que elas moram no apartamento da frente e qualquer coisa é só abrir a porta e aproveitar o conforto da minha poltrona em frente à TV. Isso se o Léo não estiver com ocupando o apartamento com o novo rolo dele.

Estou indo muito rápido? Tá difícil de acompanhar? De acreditar? Azar! Hoje vai ser assim, um post de ficção mesmo porque estou buscando um pouco de escapismo. Quer vagareza? Visita o blog do Léo aqui ao lado >>>, o ritmo lá anda bem devagar, ele não atualiza aquilo há muito tempo. Coisas do amor. Mas essa já é uma outra história.

Cheguei em casa depois desse dia louco e só queria atacar a geladeira. A da Katy, obviamente, porque a minha e do Léo não tem nada dentro. Lógico que a gente devia ir ao mercado fazer compras! Mas é muito mais fácil só abrir a geladeira alheia e escolher naquela fartura o que vai aliviar momentaneamente o meu estômago, além de que a Rachel é uma grande cozinheira. Meio maluca, cheia de manias, mas ainda sim é a Rachel.

Entrei no apartamento na ponta dos pés. Provavelmente a Burger estaria com a geladeira aberta refletindo sobre a vida e eu conseguir dar um puta susto nela. Tá ficando até chato, mas ela sempre assusta, que que eu posso fazer?! Só que quem tomou o susto fui eu: a Burger e o Preto atarracados na sala. Não que haja problema em se atarracar, mas pra isso é preciso estarem juntos e eles tinham terminado pela enésima vez. Essa última foi culpa da mocinha do xerox, mas o Léo jura que não foi traição porque eles tinham dado um tempo, enquanto a Burger diz que foi só uma briga. Vai entender.

Passei o resto da noite sentado na minha poltrona na companhia do pato e do galo. Bons tempos!

Hoje estou eufórico. A facul é sempre um porto seguro, mesmo que o seriado não tenha sido bem esse e que tenha uma boa dose de Alfie e do Jude Law na minha vida hoje…

P.S.: Mais uma vez o blog muda de nome e de cara nesse ano. Pelo menos dessa vez a cara é unicamente minha, personalizada e, o melhor, feita por mim mesmo. E me orgulho muito do resultado. O antigo foi uma boa fase, mas passageira. Desculpe a todos pelo inconveniente da mudança, atualizem seus links, por favor. Prometo que agora será definitivo.

Bom feriado pra todo mundo!

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De volta pro presente

Junho 1, 2007 at 8:38 pm (Vida profissional)

Ouvindo: The New RadicalsMother, We Just Can’t Get Enough.


(No momento infelizmente eu não posso atender. Por favor, deixe sua mensagem após o sinal. BEEEEEP!).

Oi. É o Will. Há quanto tempo a gente não se fala né? Hoje tá um dia tão estranho, tinha que conversar com alguém e você foi a primeira pessoa que eu lembrei. Ainda bem que você não está em casa ou não quis me atender, porque assim você não me interrompe e eu consigo pôr tudo pra fora.

Ontem fiz pela primeira vez um currículo. Nunca tinha feito um na minha vida! Tá bom vai, exagero meu, tinha feito uns pra procurar emprego em locadoras, mas não conta, até mesmo porque não queria um emprego, queria um bico. Agora pela primeira vez preciso realmente descrever a minha vida, selecionar os fatos e realizações mais importantes que garantiriam um emprego de verdade no caminho que eu escolhi. Antes eu não tinha absolutamente nada pra pôr nele. E agora, como resumir os quatro anos de faculdade nesse pedacinho de papel? Sei que devo selecionar o que possui mais importância, mas o que teve mais importância são coisas que não dizem respeito diretamente ao curso e sim às pessoas. E essas coisas não importam nos departamentos de RH (como os vários “Rachel is on the table”). No final, fiz um currículo de duas páginas com as coisas mais importantes e simbólicas para mim: o trabalho do Homem-Aranha, o da Senhora do Destino, a Morta, o Nelson Rodrigues, os Contextos, os Extras! (mesmo com as matérias feitas nas coxas e as fontes “inventadas”), o famigerado TCC…

Isso foi o triste e doloroso do processo: ver que o que realmente importa foram páginas e mais páginas de papel. Que o que os outros querem saber é o que está nessas folhas. Que vou imprimir milhares de cópias desse currículo que, na maioria das vezes, será jogado num cesto. Que o mais importante não é relevante na corrida empregatícia. Eu devia contar como me tornei um cara melhor, as minhas qualidades, as coisas em que eu acredito e com as quais eu realmente acho que posso colaborar. Mas isso não cabe nas páginas, principalmente em DUAS páginas.

Acordei querendo largar tudo, jogar tudo pro alto e sumir, tentar a vida, ser corajoso uma única vez que seja. Encarar São Paulo, Campinas, Ribeirão ou até mesmo Prudente sabendo que não vou desistir, pois estou bem preparado para o futuro. É como a Burger me disse um dia desses: começar a lutar por um outro tipo de felicidade, mesmo que isso exija começar viver com adulto. A era da adolescência já passou, ou devia ter passado.

(Seu tempo acabou. Por favor, insira a porra de um novo cartão IMEDIATAMENTE para continuar esta ligação. Sua chama será encerrada em cinco…).

Bom, acabou a grana, preciso desligar. (… quatro …) Qualquer dia eu ligo novamente. (… três … ) E não atenda porque eu só preciso de alguém que me ouça. (… dois …). Ah, lembrei de uma coisa. (… um …). Sabe aquela vaga da Assessoria de Comunicação? (… tu tu tu tu tu …)

Eu desisti.

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