De volta pro presente
Ouvindo: The New Radicals – Mother, We Just Can’t Get Enough.
(No momento infelizmente eu não posso atender. Por favor, deixe sua mensagem após o sinal. BEEEEEP!).
Oi. É o Will. Há quanto tempo a gente não se fala né? Hoje tá um dia tão estranho, tinha que conversar com alguém e você foi a primeira pessoa que eu lembrei. Ainda bem que você não está em casa ou não quis me atender, porque assim você não me interrompe e eu consigo pôr tudo pra fora.
Ontem fiz pela primeira vez um currículo. Nunca tinha feito um na minha vida! Tá bom vai, exagero meu, tinha feito uns pra procurar emprego em locadoras, mas não conta, até mesmo porque não queria um emprego, queria um bico. Agora pela primeira vez preciso realmente descrever a minha vida, selecionar os fatos e realizações mais importantes que garantiriam um emprego de verdade no caminho que eu escolhi. Antes eu não tinha absolutamente nada pra pôr nele. E agora, como resumir os quatro anos de faculdade nesse pedacinho de papel? Sei que devo selecionar o que possui mais importância, mas o que teve mais importância são coisas que não dizem respeito diretamente ao curso e sim às pessoas. E essas coisas não importam nos departamentos de RH (como os vários “Rachel is on the table”). No final, fiz um currículo de duas páginas com as coisas mais importantes e simbólicas para mim: o trabalho do Homem-Aranha, o da Senhora do Destino, a Morta, o Nelson Rodrigues, os Contextos, os Extras! (mesmo com as matérias feitas nas coxas e as fontes “inventadas”), o famigerado TCC…
Isso foi o triste e doloroso do processo: ver que o que realmente importa foram páginas e mais páginas de papel. Que o que os outros querem saber é o que está nessas folhas. Que vou imprimir milhares de cópias desse currículo que, na maioria das vezes, será jogado num cesto. Que o mais importante não é relevante na corrida empregatícia. Eu devia contar como me tornei um cara melhor, as minhas qualidades, as coisas em que eu acredito e com as quais eu realmente acho que posso colaborar. Mas isso não cabe nas páginas, principalmente em DUAS páginas.
Acordei querendo largar tudo, jogar tudo pro alto e sumir, tentar a vida, ser corajoso uma única vez que seja. Encarar São Paulo, Campinas, Ribeirão ou até mesmo Prudente sabendo que não vou desistir, pois estou bem preparado para o futuro. É como a Burger me disse um dia desses: começar a lutar por um outro tipo de felicidade, mesmo que isso exija começar viver com adulto. A era da adolescência já passou, ou devia ter passado.
(Seu tempo acabou. Por favor, insira a porra de um novo cartão IMEDIATAMENTE para continuar esta ligação. Sua chama será encerrada em cinco…).
Bom, acabou a grana, preciso desligar. (… quatro …) Qualquer dia eu ligo novamente. (… três … ) E não atenda porque eu só preciso de alguém que me ouça. (… dois …). Ah, lembrei de uma coisa. (… um …). Sabe aquela vaga da Assessoria de Comunicação? (… tu tu tu tu tu …)
Eu desisti.
Três elefantes incomodam muito mais…
Estou me sentindo incomodado desde os últimos dias. Uma aflição não pára de corroer. Por isso estou escrevendo aqui, porque normalmente funciona. É sentar em frente ao teclado e as idéias começam a sair, as sensações ruins a serem exorcizadas. Estou insatisfeito. Com várias coisas, aliás.Primeiro que tenho a plena certeza, nesse momento, que sou um cagão, um covarde medroso. Estou na maior sinuca de bico sobre uma decisão importante aqui no trabalho e não sei que rumo tomar. Abriu uma vaga na Assessoria de Comunicação aqui do Correio e estão abertas as inscrições para o processo seletivo interno que vai escolher o felizardo. Exigências? Comunicativo, com bom texto e disponibilidade para se dedicar a mais e mais viagens pelo estado representando a Empresa. Mas acho que não vou me inscrever. Estou com medo de largar minha a organização de eventos para assumir o posto para o qual eu me dediquei por quatro anos. Pior que o medo é ter a sensação de que você não está decidindo sobre sua realização profissional e o que está em jogo é a sua felicidade. E por isso estou matutando o assunto há uma semana. O prazo se encerra dia 31, tenho mais três dias de tormento. Ah, esqueci de dizer: é um cargo de chefia, com adicional financeiro pela responsabilidade assumida e pagamento de extras a cada viagem executada…
Segundo porque mais uma vez vejo como sou um cara volúvel. E talvez hipocondríaco. Estou há duas semanas numa maratona do seriado médico House, tendo pensamentos e sonhos cada vez mais reais de que estou com uma doença rara, um câncer ou lupus (todas as doenças no seriado levam a lupus). Não bastasse esse nível de fraqueza. E não quero morrer agora. Olha a paranóia! Depois tiram sarro das analfabetas que batem nas vilãs da novela na rua porque as coitadas se deixam levar pela ficção… E, não bastasse, estou sendo influenciado musicalmente pelo Léo Preto, meu novo profeta. rs Não quero mais saber de Cansei de Ser Sexy. Cansei… (Pegaram o trocadilho? Copiei do Léo também… rs)
Terceiro porque percebi que sou um cara fútil. Pra que uma blusa de 200,00 pra ir na Black and Glasses? Pra que ficar o dia todo pensando em qual roupa usar a noite na compra no mercado? Por que idolatrar tanto a Meryl Streep e “O Diabo Veste Prada”? O bichinho fútil da moda me mordeu, entrou na ferida, foi conduzido pela corrente sangüínea até o cérebro e lá se alojou. Que bosta… [Bosta esse bichinho fútil e também a analogia bizarra que eu fiz com as coisas que House anda me ensinando... ].
Pensando bem, por favor, me matem! [Vou deixar sobre a cama a roupa com a qual eu quero ser enterrado, ok?!] :p
Workaholic
Meu, tá a maior correria por aqui. Estou de corpo e alma mergulhado no trabalho, que cada vez mais me dá prazer. Também, agora não tenho mais a faculdade para roubar uma parcela da minha atenção, então o mais sensato é me dedicar um pouquinho àquilo que põe dindin (ainda que pouco) nos meu bolso todos os meses.Uma das minhas reclamações ano passado era que precisava colocar um pouco mais de arte na minha vida, e acho que está dando certo. Assumi para mim o videoclube da Empresa e começamos um ciclo quinzenal de exibições de filmes com uma boa história, criativos e que se afastem um pouco dos blockbusters que a gente normalmente conhece. Comecei com “Pequena Miss Sunshine” e vou exibir na semana que vem “Adeus, Lênin!”. Tomara que dê certo, porque estou adorando cuidar das exibições, da divulgação e da criação gráfica de cada um dos cartazes de divulgação.
Sou o novo produtor do grupo de teatro aqui na Empresa também. Vou tentar fazer aqui um pouquinho do que o CPPT me ensinou sobre produção teatral e sou responsável por toda a parte por trás das cortinas, dos figurinos e cenários à sonoplastia.
Pra completar, acho que vou conseguir ressucitar um velho projeto do primeiro ano da facul. Hoje, conversando com o meu chefe no cantinho do café, falei que tinha um projeto de exibição de filmes em escolas públicas para alunos pré-vestibulandos como complementação às aulas de História, aliando arte a processo de aprendizado com debates após as exibições. Ele, um amante das artes como eu, ficou apaixonado pela idéia e me pediu para trazer o projeto para ele dar uma olhada. Se tudo der certo mesmo, este projeto fará parte das ações de Resposabilidade Social e Cidadania da Empresa. Bom pra ela, bom pra mim.
Engraçado como a gente se vê realizado quando menos espera, mais rápido do que esperamos. Tudo bem, não estou ganhando nem perto do piso salarial de Jornalista, mas estou aprendendo coisas e realizando intenções que os quatro anos da faculdade não me permitiram. Pelo menos essa resolução de Ano Novo eu ainda não quebrei: entre ter dinheiro e ser feliz, eu quero mais é ser feliz!
______________________________________
O que a gente faz quando toma um pé na bunda? Chora? Dá barraco? Se afoga em brigadeiro? Em sorvete? Em uma piscina de agulhas? Não! Faça como eu.Ao invés de cortar os pulsos, corte o cabelo! Quero informar que estou careca no momento. Um mix de Justin Timberlake e Tocha Humana, do Quarteto Fantástico. Muito mais sexy, muito mais provocante, muito mais irresistível e muito mais disposto a virar a cabeça de quem quiser ser o meu objeto de consumo do momento. hehehehe
Onipresença
Se tem uma coisa eu sempre deixou espantado é um espiritozinho conhecido como Zeitgeist. Pra quem não conhece o safado, ele é o espírito criativo e onipresente de uma determinada época. Segundo meu amado Anatol Rosenfeld, ele é o responsável por pessoas em lugares distintos e sem nunca terem se falado (ou terem perdido o contato) pensarem o mesmo sobre um certo assunto. De maneira bem porca e desenhando pra quem ainda não conseguiu entender, é o Zeitgeist que faz o mundo todo odiar o Bush. [Pois é, estou Tolerância Zero hoje].Pois bem. Depois de uma mais uma crise de relacionamento na véspera de feriado, resolvi tomar uma atitude. [Um parênteses: por que crises em relacionamento só ocorrem em começos de final de semana e/ou vésperas de feriado? Já percebeu que a gente sempre fica doente em finais de semana? Já percebeu que sempre te ataca aquela dor de barriga do inferno no meio da madrugada, quando não tem ninguém pra chamar ou nenhuma farmácia aberta pra te socorrer? Que a sua alergia só ataca quando vc não tem o remédio por perto? Pois então, assim só posso concluir que as crises em relacionamento são a nova doença do século XXI...]. Voltando, tomei a atitude de baixar um pouco mais a guarda e abrir mais o meu leque de opções na hora de começar um relacionamento. E, de acordo com o post de hoje da Rachel no blog dela, acho que ela também chegou a essa mesma conclusão nos últimos dias…
Parabéns, Zeitgeist, mais uma vez você me surpreendeu. Mas vamos combinar: da próxima vez que você resolver agir, faça o Chris Evans (o Tocha do Quarteto Fantástico) concluir que é gay e que só poderá ser feliz ao meu lado. Desde já meu muito obrigado!
PENSAMENTO DO DIA
“Mas, talvez, fosse melhor aceitar que as coisas acabam. Talvez fosse mais digno (embora nem sempre consigamos ser dignos nessas situações) se os relacionamentos terminassem de forma mais trágica
(como merecem). “Não quero te ver nunca mais”, “some da minha vida”, “acabou para sempre”, “te odeio até a eternidade”. Mais vale a passionalidade digna de quem se joga no chão e reclama sem carinho e sem coberta no tapete atrás da porta. Mesmo que recomece tudo na semana seguinte.”
[Coluna "02 Neurônio", do caderno Folhateen da Folha de S. Paulo de 30 de abril]SARCASMO DO DIA (DE HOJE OU DE ONTEM, NÃO ME LEMBRO DE QUAL EDIÇÃO EU PEGUEI ESSA)
GÊMEAS IDÊNTICAS “Paraíso Tropical” conseguiu reproduzir duas gêmeas em que tanto a boa quanto a má são igualmente chatas. Normalmente, só a boa é insuportável.
[Coluna "Outro Canal", de Daniel Castro, no caderno Ilustrada da Folha de S. Paulo]
Sorte e Azar (não necessariamente nesta ordem)
Existe uma regrinha muito conhecida por quem já passou por Bauru que divaga que se uma coisa tem a possibilidade de não dar certo, com certeza ela vai dar errado quando você menos esperar e quando tiver pouquíssimo tempo para correr atrás do prejuízo. O que pouca gente sabe é que essa lei traiçoeira costuma se adaptar às neuroses de cada um de nós. Ela engloba os seus piores medos e temores e atua do modo mais assustador possível, produzindo os piores pesadelos que você poderia ter. É assim com a Lei de MurphWill. Sua contribuição à lei tradicional é que ela sempre vai envolver muitas pessoas que dependem de você ou da coisa que você está realizando. Quer uma prova?Não sei se todo mundo já ouvir falar de Intranet. Ela é como uma internet restrita aos usuários de um determinado espaço, como uma empresa, por exemplo. Pois bem. Eu sou um dos responsáveis pela página da Intranet aqui da área de Recursos Humanos dos Correios e com isso eu tenho acesso total à página, podendo publicar informações, despublicá-las, proibir pessoas de acessá-la etc. Todo mundo do interior de São Paulo acessa a página pra pegar modelos de formulários, enviar informações de trabalho, tirar dúvidas sobre procedimentos, enfim, pra tudo relacionado a RH. Essa é o visual da Intranet do Recursos Humanos:
Na sexta-feira eu tirei o dia só pra fazer uma nova subpágina subordinada a home principal com todas as informações da Premiação Destaques do Ano, que a gente realizou no último dia 31 de março com direito a Carmem Miranda, Rick & Renner e cia. Passei o dia inteiro maquinando sobre como seria o layout, quais informações entrariam ou não, um trabalho jornalístico. Depois do almoço, comecei a trabalhar de verdade nela. Uma hora depois, parei pra avaliar o que já tinha feito, odiei e resolvi apagar tudo e recomeçar do zero. Só que por uma das pegadinhas sem graça do MurphWill eu acabei clicando no lugar errado e a página da Intranet de RH ficou assim:
E nunca mais ela foi vista novamente…
_________________________________________________
Sábado foi noite de debute: pegamos nossa primeira balada em Jaú. Carro lotado, muito uísque com coca light na cabeça (dos outros, já que praticamente não tomo destilado), meia hora de estrada. Balada muito boa, pelo menos pra mim. Casei duas vezes na balada, um fato inédito! E ainda dizem que o casamento é instituição falida… Tsc tsc tsc
_________________________________________________
Quatro da manhã. Música alta. Sexyback. Hora de andar pela pista. Três passos. Troca de olhares de quase cinco minutos e que dura minha caminhada pela pista inteira. Um aceno de “Vem cá”. Um aceno de “Vem cá você”. Ninguém sai do lugar. Eu abro um puta dum sorriso. Passos na minha direção.
- Oi.
- Oi.
- Tudo bom?
- Tudo e você?
- Muito bom, ainda mais agora.
- Qual seu nome?
- Rodrigo.
- Prazer, Will.
(Um sorriso)
- To te olhando há muito tempo, você nem tinha notado.
- Sério? E por que não veio falar comigo?
- Porque você tava cercado de amigos.
- E o que te chamou a atenção?
- Pra começar, esse logo da Skol na sua camiseta. To morrendo de sede e só tem Itaipava nessa balada.
(Outro sorriso)
- Você ta sozinho?
- Estava, até atravessar a pista atrás de você.
- Ah, é? E por que atravessou?
- Pra matar a sede de alguém.
Olhar. Contato físico. Contato íntimo. O melhor beijo da noite. Falta de ar. Até as seis da manhã.
______________________________________
I don’t wanna rock, DJ
But you’re making me feel so nice
When’s it gonna stop, DJ?
Cause you’re keepin’ me up all night
(Rock DJ – Robbie Williams)